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As palavras são para ser usadas
na construção da cidade, plena de arabescos
e cúpulas, terraços sobre a ria
o mar ao longe espreitando o horizonte
de barcos e velas de navios.
Olhão litoral das ilhas oculto pelas marismas
reserva de memória e ponto de partida
para outras cidades onde tantas vezes
me perdi em delírios de imaginação.
Este é um tempo de desconstrução
estranhos sortilégios ocultam o presente.
Temos o que não queremos
e queremos o que não temos.
O passado e o futuro não existem.
António José Ventura
“Épica Menor “
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Simplesmente ler
Ler sempre.
Ler muito.
Ler quase tudo
Ler com os olhos, os ouvidos, com o tacto, pelos poros e demais sentidos.
Ler com razão e sensibilidade.
Ler desejos, o tempo, o som do silêncio e do vento.
Ler imagens, paisagens, viagens.
Ler verdades e mentiras.
Ler para obter informações inquietantes, dor e prazer.
Ler o fracasso, o sucesso, o ilegível, o impensável, as entrelinhas.
Ler na escola, em casa, no campo, na estrada, em qualquer lugar.
Ler a vida e a morte.
Saber ser leitor tendo o direito de saber ler.
Ler, simplesmente ler.
Edith Chacon Theodoro
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O Amor
Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.
A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.
A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.
Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.
A marcar sobre os teus flancos
o itinerário da espuma.
Assim é o amor: mortal e navegável.
Eugénio de Andrade
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O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo
O que há é pouca gente para dar por isso
óóóó-óóóóóóóóó-óóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora.)
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
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