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Têm as palavras dedos
que percorrem o fundo dos olhos
a linha do corpo, a maciez da mão
e do pulso, a cor da pele.
Todo o corpo é movimento
no espaço, assim somos nós
ao mesmo tempo música e palavras
silêncio e ondas
por vezes apenas um rumor
no fundo de um quarto vazio.
Há manhãs em que a nitidez dos objectos dói
em que somos ao mesmo tempo observadores e observados
e a luz atravessa os vidros invadindo as casas.
António José Ventura
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OUTRAS ÁGUAS
(Sobre uma gravura de David Almeida)
Amarás o pássaro
cantando.
Amarás a lua
espirando
sobre o corpo das mulheres
e das cidades.
Amarás a curva delicada
no adeus da folha do salgueiro
a caminho do Outono.
Não hesites.
Ama em cada instante
a música que nasce e nunca voltará.
Este é o teu destino:
branco sobre branco.
Água deslizando
a caminho
de outras águas.
José Fanha
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Barcos, que são formas esquivas,
cobrem a ria
oferecendo
à água enchente a proa fina.
São brancos quase todos
no princípio da
tarde a evidência da cal viva.
Gastão Cruz (1941)
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No poema ficou o fogo mais secreto
O intenso fogo devorador das coisas
Que esteve sempre muito longe e muito perto.
Sofia de Mello Breyner Andresen
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