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11 de Junho de 2026
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Não há melhor fragata do que um livro para nos levar a terras distantes.
Emily Dickinson

 
Tristes tempos os nossos, é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito.
Albert Einstein


Temo o homem de um só livro.
São Tomás de Aquino

 
Nada na vida deve ser receado. Tem apenas que ser compreendido.
Marie Curie

 
Nada na vida deve ser receado. Tem apenas que ser compreendido.
Marie Curie

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Poema do mês


Poema da Quinzena PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
VARIAÇÃO SOBRE ROSAS

Como as rosas selvagens, que nascem
em qualquer canto, o amor também pode nascer
de onde menos esperamos. O seu campo
é infinito: alma e corpo. E, para além deles,
o mundo das sensações, onde se entra sem
bater à porta, como se esta porta estivesse
sempre aberta para quem quiser entrar.

Tu, que me ensinas o que é o
amor, colheste essas rosas selvagens: a sua
púrpura brilha no teu rosto. O seu perfume
corre-te pelo peito, derrama-se no estuário
do ventre, sobe até aos cabelos que se soltam
por entre a brisa dos murmúrios.
Roubo aos teus lábios as suas pétalas.

E se essas rosas não murcham, com
o tempo, é porque o amor as alimenta. 

Nuno Júdice

 

 
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A João Lúcio

A invasão das casas pela luz
Ocorre nas manhãs de Primavera
Entre os reflexos de verde matizado
E o cheiro a resina do pinhal.

Nunca construiremos
A moradia perfeita
O lugar de encontro dos pontos cardeais
Nunca encontraremos a dimensão exacta
Das ilhas, do lodo, dos canais
O palácio com estátuas de alabastro
E escadas de serpente
O Algarve impressionista
O céu, a cor e o poente. 

António José Ventura

 
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QUASE NADA  

O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz. 

Eugénio de Andrade

 

 

 

 
A biblioteca PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
No corredor da Faculdade
de Ciências, espero pelo abrir
da porta. O lugar traz à memória
contos de Júlio Verne: o observatório
as estantes de vidro, as madeiras, os impressos
no placard verde escuro, o silêncio
entrecortado pelos passos no corredor
(biblioteca dos hexágonos de Borges)
- é biblioteca o que está escrito
na tabuleta à minha frente.
Em breve estarei entre as estantes
(a biblioteca não é escura)
sinto o cheiro das tintas e do papel.
Chega o funcionário e abre
a biblioteca.

António José Ventura,
A Cidade das Palavras,
1994

 
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