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Têm as palavras dedos
que percorrem o fundo dos olhos
a linha do corpo, a maciez da mão
e do pulso, a cor da pele.
Todo o corpo é movimento
no espaço, assim somos nós
ao mesmo tempo música e palavras
silêncio e ondas
por vezes apenas um rumor
no fundo de um quarto vazio.
Há manhãs em que a nitidez dos objectos dói
em que somos ao mesmo tempo observadores e observados
e a luz atravessa os vidros invadindo as casas.
António José Ventura
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