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8 de Agosto de 2020
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Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro.
Henry Thoreau

 
O livro é uma extensão da memória e da imaginação.
Jorge Luís Borges

 
Ler, ler, ler, viver a vida que outros sonharam.
Miguel Unamuno

 
As pessoas, de início, não seguem causas dignas. Seguem líderes dignos que promovem causas dignas.
James Clerk Maxwell

 
Nada na vida deve ser receado. Tem apenas que ser compreendido.
Marie Curie

Início Atividades Arquivo Mercúrio.ESFFL 'ua: Poucas respostas para a escassez
'ua: Poucas respostas para a escassez PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

vˍforumˍaguaˍ2.jpg  No passado mês de Março realizou-se em Istambul, na Turquia, o V Fórum Mundial da Água , onde se debateram, entre outros, o problema do consumo exagerado (nos países ricos), o desperdício, a necessidade de se encontrara respostas para a escassez de um recurso pressionado pelo crescimento populacional, a ineficiência e o aumento galopante da produção de energia com recurso a este bem.

  Entre outros assuntos, abordou-se o facto de que o aumento da escassez da água está a elevar os riscos de conflitos entre países que partilham rios e lagos, na sua demanda por água potável.

  Segundo as palavras do presidente do Conselho Mundial da Água, Loïc Fauchon, “aumentar indefinidamente a oferta de água é cada vez mais caro, muito mais caro hoje, num contexto de crise financeira e crise climática, do que anteriormente. Para além de que aumentar a oferta irá colocar em perigo o próprio recurso natural. 

  Para Fauchon, o homem é o principal responsável “pelas agressões cometidas contra a água, pela evolução do clima que se soma às mudanças globais e pelas pressões que reduzem a disponibilidade das massas de água doce indispensáveis à sua própria sobrevivência.”

  Por sua vez, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), alerta para o facto do número de pessoas com graves problemas no acesso à água potável poder atingir em 2030 cerca de 3,9 biliões, ou seja, metade da população mundial – sendo que a maioria vive na China e Sul da Ásia. Ainda assim, as contas da OCDE não incluem o impacto das mudanças climáticas, que podem estar já a afectar as coordenadas da água, quer dizer, a alterar o lugar e o momento das chuvas e “nevascas” (veja-se o recente caso no Dakota do Norte nos EUA e as cheias no Sul da China ).

  Muitos cientistas afirmam que as principais causas da crise da água são a irrigação ineficiente e excessiva, a contaminação dos rios, a extracção descontrolada – que faz com que se esgotem algumas reservas de água subterrânea dificilmente recuperáveis) – e o aumento exponencial de zonas de forte concentração urbana – embora cerca de 2,5 biliões de pessoas não tenham sequer acesso a saneamento básico.

   Segundo o último relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), as reservas de água potável do planeta estão ameaçadas por factores que incluem o aquecimento global, mas também as obsoletas técnicas de irrigação, o desperdício que existe no transporte da água por causa de canalizações antigas (nos países que as têm) e finalmente o próprio crescimento demográfico – a previsão é de que a população mundial possa atingir os 9 biliões até meados do século XXI, o que fará aumentar consideravelmente a procura de recursos hídricos, podendo-se atingir a astronómica cifra dos 64 biliões de metros cúbicos por ano, dificilmente comportáveis pelo planeta.

markˍsmith.jpg  Mark Smith, actual director da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), alertou que até 2025 dois terços da população mundial estarão a viver sob os efeitos da carência de água. Segundo ele, “o aquecimento global far-se-á sentir em primeiro lugar e de forma mais intensa na água, seja na forma de secas, cheias, degelo e tempestades fortíssimas, seja na elevação do nível do mar. A isto acrescem as palavras de Achim Steiner, director executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA),que advertem para as consequências de uma desigual distribuição da água no mundo, o que potenciará o desencadear de conflitos em diversas regiões (não apenas africanas). Aliás, o actual conflito no Oeste do Sudão , em Darfur , tem como uma das principais causas precisamente a disputa pela água.

   Para Daniel Zimmer, membro do Conselho Mundial da Água , é premente que “os políticos compreendam que a água devia estar no topo das suas agendas e que é necessária para o bem-estar, estabilidade e saúde das suas populações.”

 

gelo-artico.jpg  Uma projecção feita pela ONU sobre os efeitos do aquecimento global veio vincar ainda mais a urgência da agenda de Istambul: a partir de 2100 o Ártico deverá ficar privado de gelo no mês de Setembro e o nível do mar poderá subir em, pelo menos, um metro, condenado 600 milhões de pessoas ao êxodo. Entretanto, o exponencial crescimento demográfico e a crescente necessidade de utilização da água para fins domésticos e industriais, anteciparão os problemas para a década de 30 deste século.

   Estamos a cerca de duas décadas das previsões mais sombrias e catastróficas, mas são já centenas de milhões os seres humanos expostos ao risco de desastres relacionados com a água. Só em África 500 milhões de pessoas ainda sofre com a falta de condições básicas de saneamento. 80% das doenças, nas nações em desenvolvimento, estão relacionadas com a qualidade da água ou com a falta dela, sendo que pelo menos 10% das doenças poderiam ser evitados com  medidas básicas de saneamento e higiene.secaˍafrica.jpg

 

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